terça-feira, 4 de junho de 2013

Depoimento de Leitura- Professora Valdirene Maria da Silva

Minha iniciação à leitura e a escrita
Meu nome é Valdirene Maria da Silva, sou professora de Língua portuguesa da rede estadual de ensino de São Paulo desde 2003. A minha iniciação em leitura e escrita foi bem simples. Sou filha de empregada doméstica e eletricista e encanador (antigos trabalhadores rurais e moradores do interior de Minas Gerais). Contudo, apesar da origem humilde meus pais sempre valorizaram a educação.
Descobri a escrita apenas na pré-escola, e me lembro de que sofri um pouco para aprender a “domar” o lápis, o desenvolvimento de minha coordenação motora foi muito difícil, ainda me lembro de quantas ondinhas, bolinhas, contornos  tive que fazer. E para escrever o meu nome? Meu Deus!  Parecia que nunca ia conseguir. Finalmente, depois de quatro meses frequentando a escola consegui! Depois disso, nunca mais parei, queria desvendar todos aqueles códigos e me antecipava nas leituras e lições da cartilha. A minha querida professora Rejane, que hoje é readaptada na escola onde trabalho, há meses relembrou comigo essa fase de nossas vidas, já que para ela àquela turma também foi marcante, já que fomos os seus primeiros alunos.
A leitura, propriamente dita, descobri na segunda série, pois aprendi a ler com fluência. O livro que me conquistou foi “Uma rua como aquela” de Lucília Junqueira de Almeida Prado. Como fantasiei aquela rua? Queria ter vivido lá! A leitura do livro me transportou para uma rua sem saída, travessa da Avenida Brasil, em São Paulo, e me fazia imaginar os diálogos com o Reinaldo, o Alexandre, a Fátima, a dona Iaiá do piano, o Planador, o Carlão, a Lavínia. A carta de Alexandre que Lavínia lê para a garotada no dia em que a Apolo 11 pousa na Lua, a molecada levando de volta o piano de dona Iaiá, a fala decisiva do Avarento no fim do livro.  Enfim, me emocionei demais! Vivi aquela viagem tão intensamente que renovei aquele livro várias vezes na biblioteca da escola onde estudava, para explorá-lo mais e mais.
Após o fascínio por esse livro, “viajei” por outros lugares, porém “Uma rua como aquela”,  me marcou profundamente, como o primeiro amor que marca a vida de todos nós e que não esquecemos jamais.


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