Minha iniciação à leitura e a escrita
Meu nome é Valdirene Maria da Silva, sou professora de Língua
portuguesa da rede estadual de ensino de São Paulo desde 2003. A minha
iniciação em leitura e escrita foi bem simples. Sou filha de empregada
doméstica e eletricista e encanador (antigos trabalhadores rurais e moradores
do interior de Minas Gerais). Contudo, apesar da origem humilde meus pais sempre
valorizaram a educação.
Descobri a escrita apenas na pré-escola, e me lembro de que sofri um
pouco para aprender a “domar” o lápis, o desenvolvimento de minha coordenação
motora foi muito difícil, ainda me lembro de quantas ondinhas, bolinhas,
contornos tive que fazer. E para escrever o meu nome? Meu Deus!
Parecia que nunca ia conseguir. Finalmente, depois de quatro meses frequentando
a escola consegui! Depois disso, nunca mais parei, queria desvendar todos
aqueles códigos e me antecipava nas leituras e lições da cartilha. A minha
querida professora Rejane, que hoje é readaptada na escola onde trabalho, há
meses relembrou comigo essa fase de nossas vidas, já que para ela àquela turma
também foi marcante, já que fomos os seus primeiros alunos.
A leitura, propriamente dita, descobri na segunda série, pois aprendi
a ler com fluência. O livro que me conquistou foi “Uma rua como aquela” de Lucília Junqueira de Almeida Prado.
Como fantasiei aquela rua? Queria ter vivido lá! A leitura do livro
me transportou para uma rua sem saída, travessa da Avenida Brasil, em São
Paulo, e me fazia imaginar os diálogos com o Reinaldo, o Alexandre, a Fátima, a
dona Iaiá do piano, o Planador, o Carlão, a Lavínia. A carta de Alexandre que
Lavínia lê para a garotada no dia em que a Apolo 11 pousa na Lua, a molecada
levando de volta o piano de dona Iaiá, a fala decisiva do Avarento no fim do
livro. Enfim, me emocionei demais! Vivi aquela viagem tão intensamente
que renovei aquele livro várias vezes na biblioteca da escola onde estudava,
para explorá-lo mais e mais.
Após o fascínio por esse livro, “viajei” por outros lugares, porém “Uma rua como aquela”, me marcou profundamente, como o
primeiro amor que marca a vida de todos nós e que não esquecemos jamais.

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